Nasce uma estrela

Nasce uma estrela. Por Inorbel Maranhão Viégas

Nasce uma estrela…o Brasil inteiro disfarça a angústia de esperar por um resultado. A mais icônica das premiações cinematográficas, o Oscar, acena com a possibilidade de premiar pela primeira vez uma produção brasileira…

Nasce uma estrela

Dia nublado por aqui. Penso na passagem do tempo. Às vezes, é muito rápido. Às vezes, demora. Mas passar o tempo, ou acompanhar a sua passagem, é sempre um exercício exigente.

Nesse momento, o Brasil inteiro disfarça a angústia de esperar por um resultado. A mais icônica das premiações cinematográficas, o Oscar, acena com a possibilidade de premiar pela primeira vez uma produção brasileira. O tempo de espera já se faz longo, qualquer que seja o ponto de vista.

Se a janela for cronológica, trata-se de uma história que pode romper com o ineditismo. Nunca antes na história do cinema nacional estivemos tão perto daquela estatuetinha dourada.

Se o prisma for artístico, estamos a ponto de alçar muitos degraus na escada mundial de reconhecimento da arte brasileira. Mas há um ângulo que me comove mais do que qualquer outro.

Para mim, agora, a conquista do Oscar será um detalhe. O tempo que me provoca em sua passagem é o que converge para intersecção de duas bandas do ciclo que chamamos “vida”.

Sentado diante da minha janela aberta, nesta manhã nublada, xícara de café na mão, reflito enquanto os aviões arribam e aterram, lá longe no horizonte, na direção onde está o aeroporto.

Me vem à mente a imagem de duas mulheres fortes. Duas Fernandas. Uma delas guarda quase um século de altivez. A outra, resplandece e desfruta uma aventura histórica. As duas são preenchidas de dignidade.

Entre elas, o tempo. E eu a observar a trajetória dessas duas estrelas constituídas do mesmo DNA, que traduz a legitimidade da arte brasileira. Uma, a que trafega com a elegância comum às estrelas cadentes, que deslizam como um traço de luz no céu, carregadas de beleza. Uma vez que as vemos, nunca mais saem da nossa memória.

A outra, a que nasce. Sem que precise de adjetivações para ser percebida em meio a milhares de outras estrelas.

Penso que está aí o prêmio, o grande prêmio, desse tempo avesso que atravessamos.

Meu coração aquietado e lúcido celebra o privilégio dessa contemporaneidade. Eu desfruto da passagem do tempo com duas Fernandas. E isso não é pouco.

O tempo, neste caso, é só um detalhe. Como o Oscar.

Nasce uma estrela

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Lançamento do Livro "Cápsulas de Oxigênio" em Campo Grande - Maranhão Viegas

Inorbel Maranhão Viégasescritor,  jornalista e poeta, vive em Brasília. Autor de, entre outros, “Cápsulas de Oxigênio”

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